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RACISMO E JANEIRO BRANCO - MÊS DA SAÚDE MENTAL

Janeiro é o mês do "Janeiro Branco" onde o foco é a atenção a "Saúde Mental", e precisamos falar sobre racismo e saúde mental de pessoas negras. 


Pois sabemos que o Racismo faz mal para a saúde mental e  falar sobre ele é uma forma de prevenção.

O racismo pode afetar a população preta/negra/indígena de diversas formas e em diferentes dimensões. 

Na maneira como existem, em seus potenciais, de se enxergar enquanto bonitos e capazes.

O Racismo atinge a nossa vivência, em qualquer parte do cotidiano e em todas as esferas de nossa resistência.

Entre pessoas negras é comum escutar relatos de exaustão e inseguranças devido situações diárias de preconceitos.

Quando não matam, essas violências adoecem, por isso é importante buscar ajuda profissional.

Hoje conto um breve relato sobre como estes assuntos se entrelaçaram na minha vida. Na humilde vida de um menino sonhador, chamado Marcelo Freitas.

Vivi em uma situação muito pontual, minha mãe, era secretaria do lar, morávamos em São Paulo.

Um dia, voltando para casa, eu devia ter uns 12 anos de idade, tomei um enquadro. 
O policial chegou em mim "daquele jeito" de sempre, gritando, com as armas nas mãos e pedindo para colocar as mãos na cabeça.

Ele me abordou dizendo que eu era suspeito de um assalto.
E eu acompanhado de mais outros dois amigos brancos que não foram abordados.

Então, a conclusão é que com 12 anos de idade eu já era visto como um suspeito e esta era a identificação que eu já tinha para Sociedade.

E eu ia olhando o mundo ao meu redor, ia vendo que na mídia, as pessoas de sucesso, eram pessoas que não tem o cabelo igual o meu, um nariz igual o meu e eram brancos.

Nos filmes, os protagonistas eram brancos, e eu não ia me vendo.
Já começava sendo massacrado por este sistema.
Passei achar que havia alguma coisa de errado comigo, pois eu já era o "suspeito".

Quando eu via uma notícia de um jovem negro sendo preso, ele era sempre traficante, preso com drogas, e quando era um branco, a notícia era o seguinte: "Jovem médico, de classe média é detido em aeroporto com drogas".

É diferente a maneira que as pessoas são tratadas e isso vai destruindo sua saúde mental e você fica achando que você está errado pois a Sociedade fica dizendo que você é suspeito.

Afinal, já tem aqueles ditados sociais que ajudam né! 
"Preto, quando não caga na entrada, caga na saída".
"Não sou tuas negas"
"Tem que ser preto"

A sociedade me diz o tempo inteiro que eu estou errado, fudido, que eu não sirvo, que sou menos e que a minha raça é ruim, "é de bandido".

Isso destrói as perspectivas de vida, pois você se olha no espelho, se vê uma pessoa alí na hora que você não quer ser mais.
 

Sem contar o bullying na escola, com seu nariz e com seu cabelo.

Então, para nós, precisa vir um prato de comida e a saúde mental, pois tudo isso veio destruindo a minha autoimagem.

Me aceitar internamente como eu sou e contrariar o que a Sociedade diz sobre mim foi o único caminho para sobrevivência.

Me cuidar e entender que eu não sou um bandido é foda.

Precisa cuidar da saúde mental, se autoconhecer e entender que essa condição que foi imposta não fui eu quem fiz e nem você, foi a Sociedade.

Eu sou um cara capaz e fui entendendo melhor isso através da terapia. 
Quem eu sou e qual o meu lugar no mundo e claro, através de muito estudo também.

Se tiver dois conselhos para dar, como diria Mano Brown:
Em primeiro lugar, cuide da sua saúde mental e o segundo é... vai estudar".
O conhecimento é libertador. Entender que eu sou descendente de reis e rainhas e não de escravos. 

Meu povo foi escravizado, não nasceu escravo. É preciso entender que o preconceito é para manutenção do Capital de uma elite branca.

Não tem nada de errado comigo mas as pessoas ainda querem achar que tem algo de errado.
Uns preferem morrer a ver um preto vencer.

E eu, Marcelo, prefiro vencer ao aceitar o que a Sociedade diz de mim, da minha cor, dos meus ancestrais, da minha existência.



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